Para Chris Hughes, a criação do Facebook em parceria com outras empresas privadas cria riscos à soberania dos países, principalmente os emergentes  

POR PAULA ZOGBI 24 JUN, 2019 17H41

SÃO PAULO – A Libra, criptomoeda apresentada pelo Facebook na última semana em parceria com uma associação de empresas privadas, pode configurar uma ameaça à soberania dos bancos centrais mundiais, principalmente nos países, principalmente os emergentes. A opinião é de Chris Hughes, cofundador do Facebook já conhecido por seu posicionamento crítico à empresa nos últimos anos.

Com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2020, a moeda digital terá lastro em uma cesta de moedas com baixa volatilidade, como euro, dólar e iene, por exemplo. Dessa forma, pretende tornar-se uma alternativa a meios de pagamento tradicionais e incluir uma população sem acesso ao sistema bancário – mas com acesso à internet.

A Libra Association, composta por empresas privadas como Uber, Paypal, Mastercard e outras, será responsável pela moeda.

“Se – mesmo modestamente – bem-sucedida, a Libra entregaria boa parte do controle da política monetária dos bancos centrais a essas empresas privadas”, disse Hughes em um artigo publicado pelo Financial Times.→

Em sua análise, ele assume que, se parte das pessoas ao redor do mundo de fato trocar sua moeda local pela Libra, os governos perderão a capacidade de administrar suas políticas fiscais. Isso será ainda mais intenso, segundo ele, em países cujas moedas são mais fracas – como os emergentes, incluindo o Brasil.

“O que os apoiadores da Libra chamam de ‘descentralização’ é na verdade uma mudança de poder dos bancos centrais de países emergentes para corporações multinacionais e os bancos centrais dos Estados Unidos [Federal Reserve] e da Europa (BCE)”, crava o bilionário.

Apesar da alegada missão de incluir financeiramente toda a população mundial – o que parece consideravelmente nobre, outros formadores de opinião também já inundaram de críticas o debate sobre a criptomoeda.

Em um artigo chamado “Criptomoeda Libra: você ousa confiar seu dinheiro ao Facebook?”, John Naughton, colunista do The Guardian, convida o leitor a se fazer duas perguntas. “Um: estamos confortáveis com a ideia de uma nova moeda global controlada por um consórcio de chefes corporativos? Afinal, banqueiros centrais são ao menos indicados por administrações democráticas. Mas ninguém elegeu Zuckerberg e cia. E dois, a maior pergunta de todas: o que o Facebook ganha com tudo isso? No momento, ninguém sabe”.

No texto, Naughton menciona algumas das preocupações que giram em torno do lançamento: privacidade, lavagem de dinheiro e terrorismo.

Outra colunista, Maureen Callahan, do New York Post, é ainda mais direta. Para ela, a ideia da criptomoeda é “absolutamente assustadora”. Em seu texto, expõe o que considera ser a ambição verdadeira de Mark Zuckerberg: “nada menos que o domínio sobre todos nós”.

Fonte:

https://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/8435448/cofundador-do-facebook-ve-libra-como-uma-ameaca-a-paises-como-o-brasil

Att

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