Neste 5 de junho, Dia Nacional e Internacional do Meio Ambiente, não temos espaço para celebrações vazias ou discursos maquiados pelo marketing verde das grandes empresas. Para nós, a pauta ambiental é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência. Defender o meio ambiente é defender a vida da classe trabalhadora!
O modelo de exploração que dita as regras do jogo tem alvo certo para despejar as suas consequências. O racismo ambiental se materializa diariamente quando percebemos que a destruição, a poluição e os desastres atingem primeiro — e com muito mais violência — as populações negras, indígenas, ribeirinhas e as periferias urbanas. O capital lucra, enquanto a base da sociedade paga a conta com a própria saúde e território.
Essa lógica destrutiva não acontece apenas longe dos nossos olhos; ela sufoca a nossa própria região. Em Santa Cruz, território que abriga o nosso local de trabalho na Casa da Moeda, um recente relatório internacional do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea) comprovou o impacto devastador das emissões da siderúrgica Ternium. Enquanto o grande capital comemora suas metas de produção, bairros vizinhos, como o João XXIII, são diariamente invadidos por um pó preto tóxico. É o racismo ambiental agindo na nossa porta: essa contaminação, com níveis acima do permitido pela OMS e já alertada pela Fiocruz, custou milhares de vidas e provocou centenas de casos de asma em crianças na última década. Eles transformaram a Zona Oeste do Rio em uma zona de sacrifício, provando de forma cruel que, para essas empresas, a vida de quem vive e trabalha na periferia vale muito menos que a margem de lucro.
A resistência contra essa lógica ecocida pulsa forte na luta no Tapajós. Lá, povos ancestrais e comunidades tradicionais travam uma guerra diária contra o avanço brutal do garimpo ilegal, a contaminação dos rios por mercúrio e a imposição de megaprojetos que tentam transformar a Amazônia em uma mera mercadoria. A luta do Tapajós é o retrato da resistência contra a mercantilização da vida.
Já vimos, da pior forma possível, o que acontece quando o lucro se sobrepõe à segurança. Os rompimentos e os trágicos acidentes com barragens em Mariana e Brumadinho não foram fatalidades ou obras do acaso; foram crimes socioambientais anunciados. Foram trabalhadores que morreram soterrados pela lama em seu turno de serviço, foram comunidades inteiras varridas do mapa pela negligência corporativa.
E qual é a resposta que o Congresso Nacional tenta dar a essas tragédias? A pior possível. Em vez de endurecer as regras, tentam passar a boiada com o PL que flexibiliza o licenciamento ambiental (PL 2159). Essa proposta é uma verdadeira “licença para destruir”. Ao enfraquecer o controle do Estado sobre os impactos dos grandes empreendimentos, o projeto institucionaliza o descaso e garante que novas barragens corram o risco de se romper e novos territórios sejam envenenados, tudo para baratear os custos do grande capital.
É exatamente por isso que Sindicato e Meio Ambiente são pautas indissociáveis. O Sindicato dos Moedeiros reafirma quea nossa luta transcende a porta da fábrica ou a mesa de negociação. Não existe emprego, qualidade de vida ou dignidade em um planeta devastado. Somos nós, a classe trabalhadora, que respiramos o ar contaminado, que adoecemos nos locais de trabalho insalubres e que perdemos nossas casas nas enchentes e deslizamentos.
A defesa do meio ambiente exige confronto. Exige barrar o PL da destruição, clamar por justiça para as vítimas das barragens, ser escudo para os povos do Tapajós e combater o racismo ambiental em todas as suas frentes.
A natureza não é um recurso a ser esgotado; é a nossa casa. E pelo nosso direito a um futuro digno, nós seguiremos na trincheira.