Representantes do Sindicato Nacional dos Moedeiros (SNM) se reuniram nesta semana com Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e atual coordenador do programa de governo, para discutir o futuro da Casa da Moeda do Brasil (CMB) e seu papel estratégico no desenvolvimento nacional. O encontro foi marcado por um debate sobre soberania nacional, autonomia tecnológica, reindustrialização e fortalecimento das capacidades do Estado brasileiro.

Durante a reunião, a direção do Sindicato apresentou sua visão sobre a importância da Casa da Moeda para o país e entregou um documento contendo propostas voltadas ao fortalecimento da empresa pública como instrumento de soberania, inovação e desenvolvimento econômico.

Na avaliação do SNM, a Casa da Moeda ocupa posição estratégica para o Estado brasileiro por atuar em áreas sensíveis ligadas à soberania monetária, à segurança documental, à identidade cidadã, à proteção de informações estratégicas e ao domínio de tecnologias essenciais para o funcionamento do país.

A entidade destacou que o debate sobre o futuro da Casa da Moeda deve estar inserido em uma discussão mais ampla sobre o projeto nacional de desenvolvimento. Em um cenário internacional marcado pela disputa tecnológica, pela reorganização das cadeias produtivas globais e pela crescente valorização de ativos estratégicos, o fortalecimento de instituições públicas capazes de produzir conhecimento, tecnologia e soluções de segurança tornou-se uma questão central para a autonomia dos Estados nacionais.

Casa da Moeda como instrumento de desenvolvimento

Durante o encontro, os representantes do Sindicato ressaltaram que experiências internacionais demonstram que países desenvolvidos preservam sob controle estatal instituições responsáveis pela produção monetária, segurança documental e tecnologias de autenticação. Nesse contexto, defenderam que a Casa da Moeda do Brasil deve ser compreendida não apenas como uma empresa pública, mas como parte da infraestrutura estratégica do Estado brasileiro.

O documento entregue a Sérgio Gabrielli propõe a construção de uma estratégia nacional de fortalecimento da instituição baseada em cinco eixos centrais: a ampliação da presença internacional da Casa da Moeda, sua consolidação como polo nacional de segurança e identidade digital, a retomada dos investimentos em tecnologia e inovação, a valorização dos trabalhadores e a inserção definitiva da empresa na estratégia de reindustrialização do país.

Para o Sindicato, a Casa da Moeda reúne condições para assumir papel ainda mais relevante no desenvolvimento nacional, ampliando sua atuação em áreas como certificação digital, rastreabilidade, autenticação, proteção documental, identidade digital e tecnologias de segurança.

Valorização dos trabalhadores

Outro tema abordado na reunião foi a importância do patrimônio humano construído ao longo da história da instituição. O SNM destacou que a Casa da Moeda conta com trabalhadores altamente qualificados, responsáveis pela construção de competências técnicas e industriais que fazem da empresa uma referência em segurança gráfica e produção de itens estratégicos.

A entidade defendeu a implementação de políticas permanentes de valorização profissional, renovação dos quadros e fortalecimento da capacidade técnica da empresa, por meio de investimentos em formação, capacitação e realização de concursos públicos.

Defesa da soberania nacional

Ao longo da reunião, o Sindicato reafirmou que a defesa da Casa da Moeda está diretamente relacionada à defesa da soberania nacional. Para a entidade, instituições estratégicas responsáveis por funções de Estado não podem ser avaliadas exclusivamente sob a lógica da rentabilidade imediata, mas também por sua contribuição para a autonomia tecnológica, a segurança institucional e a capacidade de planejamento do país.

O SNM considera que a Casa da Moeda possui papel fundamental em um projeto de desenvolvimento voltado para a reindustrialização, a inovação tecnológica e o fortalecimento das capacidades estatais brasileiras.

Ao final do encontro, o Sindicato reiterou sua disposição de contribuir com o debate sobre o futuro da instituição e com a construção de propostas que permitam à Casa da Moeda ampliar sua participação no desenvolvimento nacional, preservando seu caráter público, sua missão estratégica e seu compromisso histórico com os interesses do povo brasileiro.